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| texto: Edite Correia fotos: Clément Puippe publicado no jornal Gazeta Lusófona(http://www.gazetalusofona.ch/) |
sábado, 13 de novembro de 2010
Azeituna na Suíça dia 5 de Outubro de 2010 - Feira do Valais - Martigny
Maria do Céu Guerra e Companhia de Teatro" A Barraca" em Genebra Suíça
No quadro do dia Mundial do Teatro, Genebra recebeu grandes actores entre o dia 30 de Março e o dia 3 de Abril.
A companhia de Teatro “A Barraca”, deslocou-se a Genebra a convite do Teatro St. Gervais, para representar 2 peças de Teatro “Obviamente demito-o” de Hélder Costa e “O Pranto de Maria Parda” de Gil Vicente, com Maria do Céu Guerra.
“Obviamente demito-o” de Hélder Costa consegue transmitir-nos o clima de terror da época Salazarista e dar conta da enorme impostura de que o povo português foi vítima sempre de uma maneira falsamente proteccionista e fazendo crer que era pelo bem da nação. Humberto Delgado representado pelo actor João D’Ávila encarnava a esperança, a alegria de viver a vontade de mudança mas a dura realidade que era a ditadura e o governo de Salazar interpretado pelo actor Sérgio Moura Afonso conseguiram travar os objectivos e anseios de liberdade, mas não conseguiram fazer morrer a esperança. Nas consciências acendeu-se uma chama que iria levar mais tarde à revolução.
A peça de teatro”O Pranto de Maria Parda” de Gil Vicente, interpretada pela actriz Maria do Céu Guerra, leva-nos a uma outra dimensão, um outro tempo. Através do Teatro visitámos a época Vicentina, que é considerada a passagem da Idade Média ao Renascimento. Nesta peça está representada a “face escondida” dos Descobrimentos e o desespero do povo. Este monólogo é uma critica às privações sofridas pelo povo, posto na boca de uma velha bêbeda, que além disso é mulata, daí o nome Maria Parda, que protestando contra o preço proibitivo do vinho, se entrega a um sem número de lamentações e divagações, à beira da loucura. Como nesta época não se podia abordar os assuntos de uma forma explicita, esta foi a forma encontrada por Gil Vicente para exorcizar o drama da fome com toda a carga cómica e de uma forma burlesca. Em 1522, ano em que foi escrito este texto, houve uma fome terrível no reino. Os camponeses esfomeados morriam ao longo dos caminhos pois mesmo quem tinha dinheiro, não encontrava com que matar a fome.
Texto: Gil Vicente
Encenação: Maria do Céu Guerra
Actriz: Maria do Céu Guerra
Acessórios: Victor Sá Machado
Luz: José Carlos Pontes
No seu nome existe o céu e a guerra isso é a busca do equilíbrio entre o céu a alcançar e a guerra a travar ?
Ter este nome é puramente acidental, Guerra eram os meus avós e a minha mãe, Maria do Céu foi o meu pai que escolheu o nome acabou por fazer uma contradição criar um conteúdo significado novo
uma ideia um conceito novo eu acho quando muito é um destino.
Afinal o seu nome representa uma busca de equilíbrio.
Como foi conciliar vida familiar e profissão?
Não foi fácil mas é das profissões mais compensadoras, não a nível material mas a nível pessoal, espiritual, quando se tem filhos foi complicado criá-los ainda é complicado em Portugal ter filhos e ser actriz.
Qual é para si o melhor e o pior de Portugal
O melhor de Portugal tem sido a sua situação geográfica, o sol, o mar, as pessoas que se deparam com situações de necessidade e sem grandes responsabilidades pelos desmandos que sempre acontecem naquele país. O pior em muitos sectores é a falta de sentido de responsabilidade e a falta de sentido de serviço, na cultura, na politica. São poucos aqueles que se sentem responsáveis por fazer e fazer bem e dar prova de si quando se chega a um determinado grau social as pessoas acham que já chega que todas as pessoas têm obrigação de os respeitar de lhes baixar a cabeça e perdem o sentido de serviço.
Acho que Portugal a nível do teatro e da cultura, Sentem-se poucos responsáveis todos nós temos que trabalhar e prestar contas a todos termos obrigações sentido de responsabilidade direitos e deveres .
Mas houve uma grande evolução com a entrada na Europa
Portugal melhorou muito com a entrada na Europa teve várias injecções de dinheiro e ganhou condições de desenvolvimento que até aí não tinha. Cada partido responsável que vai para o poder com muita dificuldade assume a responsabilidade desse poder.
Numa companhia de Teatro quando decidimos montar uma peça damos o sangue a alma damos tudo trabalhamos o que for preciso para que aquele trabalho corra bem para que a gente quando abre as portas ao público que é quem nos vai julgar ele continua gostar do que fazemos a respeitar-nos a apoiar-nos e gostar do nosso trabalho e melhore a sua condição como espectador muitas vezes os nossos políticos não têm esse sentido acho que cada pessoa nas suas funções tem que ter a responsabilidade. Acho que os nossos políticos não têm sentido de serviço
Chegam às estruturas de mais de alta responsabilidade de uma forma vaidosa, não dialogante, e sem pensar que é sua estrita obrigação prestar contas aos outros.
Na peça “O Pranto de Maria Parda” de Gil Vicente sente-se toda a força do povo português através da sua representação.
O povo de Portugal é extraordinário de norte a sul nas coisas que me é dado representar em cena de na sua vontade imaginação no seu élam vital na sua vontade de viver na vontade de ser feliz na sua imaginação são características maravilhosas do nosso povo quase intactas imaginativo forte criativo solidário, verdadeiro.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Artigo GAZETA LUSÓFONA Maria João em Villars-sur- Ollon
"Villlars de vivre” decorreu do dia 10 ao 12 de Setembro no prestigiado hotel “Villars Palace” em “Villars-sur-Ollon”
Maria João actuou no dia 11 de Setembro no espectáculo “Villars de Vivre” e foi como uma…
…explosão contagiante de sons, cores ...sonho puro.
Maria João poderia ser o nome de um planeta, com mais cores ainda do que o arco íris. Os rios não seriam de água mas de música. As músicas viriam de todos os cantos do mundo, de todos os géneros de música unindo todos os povos e juntos celebrariam assim o facto de existir, de estar vivo. Os seus habitantes respirariam música, vestiriam belos fatos feitos de notas musicais, viveriam da música, para a música, seriam a própria música. E esta se espalharia por todo o lado em alegria e cores e sons melodiosos que curariam todos os males.
O concerto a que assisti no passado dia 11 de Setembro com os cantores Maria João e David Linx , “Follow the songlines”os pianistas Mário Laginha e Diederik Wissels, Chistophe Wallemme (contrabaixo) e Stephane Huchard (precursão), foi como entrar dentro história Alice no Pais das Maravilhas, podemos até não saber o nome das músicas os estilos musicais, os autores mas deixamo-nos levar pela emoção pelo colorido como se entrássemos confiantes, num sonho.
Já veio actuar mais vezes à Suíça ? Já vim há alguns anos atrás ao festival de Montreux com o Mário Laginha e com a cantora japonesa Aki Takase e também algumas vezes a Zurique. Infelizmente não venho muito à Suíça os meus concertos não se enquadram nos gostos e nos programas da comunidade portuguesa porque há um preconceito, pensa-se que o fado é a música que representa melhor Portugal. A música portuguesa não tem que ser sempre obrigatoriamente triste. O fado tem um estilo mais fechado. A nossa música também é portuguesa, só que é outro Portugal, e o Portugal que foi descobrir outros sons, se abre ao mundo. A nossa música é mais alegre mais colorida, eu diria que é uma música curiosa.
Não tem medo de se afastar de certos públicos? A música que fazemos é a que gostamos, felizmente temos público que gosta de nos ouvir.
Quais são os vossos próximos concertos? Na próxima semana vamos ao Brasil, festival de Porto Alegre em Cena, num teatro . Os brasileiros gostam muito do nosso estilo de música, identificam-se com ela. A seguir vamos actuar na Madeira. Já actuámos no “Bourban Street” um dos maiores clubes de S. Paulo (Brasil), em Itália, França, Bélgica, Argentina, Uruguai, etc.
Como é que começou esta aventura da música? Comecei no Jazz clássico primeiro ouvia e tentava imitar Ella Fitzeralg, Billy Holliday,,depois fui evoluindo ouvia Betty Carter que tinha uma música mais elaborada. Também me inspirei bastante na música brasileira, Elis Regina, Caetano Veloso. O fado também me influenciou, eu era uma espécie de esponja, absorvia toda a música de que gostava para depois criar a minha própria forma de expressão. Esta música que tocamos hoje era um pouco complicada com muitas notas, muitos arranjos. No fundo a estrutura da música é a mesma, só varia o improviso.
Compreende porque falamos tanto de saudade quando vivemos no estrangeiro? Conheço perfeitamente a saudade, o facto de viajar tanto implica um sacrifício e um afastamento doloroso da minha família, do meu namorado, dos meus cães.
Normalmente actua em duo com o pianista Mário Laginha? Sim mas depende, por vezes em duo outras vezes em quinteto ou ainda com um novo projecto electrónico de que gosto muito.
Que musica é que gostaria de continuar a fazer? Gosto muito da música electrónica mas sinto-me mais próxima da pop e de artistas como Bjork e também dos músicos noruegueses da nova geração.
Daqui a 10 anos continuará ligada à música? Eu cantarei até morrer!
Maria João Monteiro Grancha, nascida a 26 de Junho de 1956, de pai português e mãe moçambicana. Em 1982 frequentou a escola de Jazz Hot Club de Lisboa. No ano seguinte estreou-se em público e gravou o seu primeiro álbum. Em 1984 obteve o prémio de revelação do ano. Em 1985 participa com muito sucesso no Festival Jazz de Cascais. Em 2003, foi a directora da academia do programa Operação Triunfo, RTP. O seu trabalho e talento têm sido reconhecidos e apreciados pelo mundo inteiro. A sua parceria com o pianista Mário Laginha tem sido coroada de grandes sucessos. O seu novo trabalho “AMORAS e FRAMBOESAS” está em preparação e aparecerá em breve. \
Discografia
· Quinteto Maria João 1983
· Cem caminhos 1985
· Conversas 1986
· Looking for you 1989
· Alice 1992
· Sol 1992
· Danças 1994
· Fábula 1996
· Cor 1998
· Lobos Raposas
· e Coiotes 1998
· Chorinho Feliz 2000
· Mumadji 2001
· Undercovers 2002
· Tralha 2004
· João 2007
· Chocolate 2008
*Este acontecimento musical foi possível devido à colaboração de toda a equipa de Villars Tourisme e do músico de Jazz Thierry Lang www.villarsdevivre.ch
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Entrevista no jornal GAZETA LUSOFONA -Joana Amendoeira-
JOANA AMENDOEIRA
Uma Diva do Fado em Sion
“Saudade é tudo o que fica depois de tudo morrer”. Que melhor definição para a saudade do que esta frase cujo sentido é bastante contraditório, pois ao mesmo tempo que fala em morte, deixa transparecer um ténue sentimento de esperança. Digamos que saudade é uma mistura de desespero e de esperança.
Estes dois sentimentos juntos são eles que nos fazem avançar, que nos dignificam, purificam.
Ouvir cantar Joana Amendoeira é mais ou menos isso: sentir-se purificado.
O espectáculo da fadista Joana Amendoeira & Ensemble MAR, no passado dia 21 de Agosto na Sala da Matze em Sion e no quadro do Festival Internacional de Música Sion Valais 2010, com o apoio do Instituto Camões e do Consulado Geral de Portugal em Genebra, deixou o público completamente rendido ao seu encanto, naturalidade, enorme talento e profissionalismo. Esta cantora, muito jovem, 28 anos, é já bastante conceituada em Portugal. Tem 7 álbuns gravados, viajou pelo mundo inteiro, destacam-se países como a Suécia, Bélgica, Holanda, França, Áustria, Índia e tantos outros, onde tem sido muito bem recebida e aplaudida, mesmo por povos que não percebem o português.
É a primeira vez que vem cantar à Suíça? Não, já estive por duas vezes na Suíça Alemã, perto de Zurique.
Tem família na Suíça? Tenho é família na Hungria e na França.
Viaja muito? Viajo muito felizmente, gravei o meu primeiro disco em 1998 e desde aí tenho viajado pelo mundo inteiro. Já estive na Índia, Japão e em África. O público, na maioria estrangeiro, adere muito bem à nossa música, tenho recebido muito apoio e carinho. Na Suécia estive em 24 cidades e só numa é que havia portugueses. Mesmo sem perceber a língua o público vibra com o fado. É uma magia que acontece. Houve até quem me dissesse que ao ouvir o fado ficaram tão apaixonados por esta forma de expressão que decidiram aprender português.
Acha que era bom haver a possibilidade de ter um ecrã em que se traduzisse os textos para que o público pudesse também entender a força das palavras? Acho que seria interessante.
Quando é que o fado entrou na sua vida? Surpreendi toda a gente com 6 anos quando comecei a cantar o fado. Foi mais ou menos também nessa altura que o meu irmão começou a tocar guitarra.
Por vezes ao subir ao palco para cantar tem que superar certas dificuldades? Sim há que saber gerir os seus sentimentos, saber pôr de lado as preocupações, têm que estar reunidas certas condições. Se por algum motivo não se estiver nas melhores condições físicas ou emocionais tem que se aprender a superar e pôr de lado as suas dificuldades.
Quais são os seus sonhos que gostaria de ver realizados? Continuar a representar o fado dignamente dando sempre o meu melhor. Cantar o meu próprio reportório, esperando que a minha voz se mantenha sã. Gostaria ainda de fazer parcerias com alguns cantores que admiro, por exemplo, o cantor de jazz canadiano Michael Bubblé.
Joana Amendoeira nasceu em Santarém a 30 de Setembro de 1982, fez a sua primeira actuação em público em 1994, participando na Grande Noite do Fado em Lisboa. Em 1998 desloca-se pela primeira vez ao estrangeiro, Hungria, no mesmo ano grava o seu primeiro álbum intitulado “Olhos Garotos”. Em 2004 recebe o “Prémio Revelação da Casa da Imprensa”. Em 2009 a Fundação Amália Rodrigues atribui-lhe o prémio de “Melhor Disco de Fado de 2008”. Em Abril deste ano actuou no grande auditório do Centro Cultural de Belém onde foi lançado o seu último álbum “Sétimo Fado”.
De destacar ainda o interesse simultâneo desta fadista pela tradição e a inovação, provando que passado e futuro podem conviver e viver harmoniosamente, enobrecendo ainda mais o fado com novos ritmos musicais, como o jazz.
- Olhos Garotos – 1998
- Aquela Rua – 2000
- Joana Amendoeira – 2003
- Joana Amendoeira ao Vivo em Lisboa – 2005
- À Flor da Pele – 2007
- Joana Amendoeira & Mar Ensemble – 2008
- Sétimo Fado - 2010
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