No quadro do dia Mundial do Teatro, Genebra recebeu grandes actores entre o dia 30 de Março e o dia 3 de Abril.
A companhia de Teatro “A Barraca”, deslocou-se a Genebra a convite do Teatro St. Gervais, para representar 2 peças de Teatro “Obviamente demito-o” de Hélder Costa e “O Pranto de Maria Parda” de Gil Vicente, com Maria do Céu Guerra.
“Obviamente demito-o” de Hélder Costa consegue transmitir-nos o clima de terror da época Salazarista e dar conta da enorme impostura de que o povo português foi vítima sempre de uma maneira falsamente proteccionista e fazendo crer que era pelo bem da nação. Humberto Delgado representado pelo actor João D’Ávila encarnava a esperança, a alegria de viver a vontade de mudança mas a dura realidade que era a ditadura e o governo de Salazar interpretado pelo actor Sérgio Moura Afonso conseguiram travar os objectivos e anseios de liberdade, mas não conseguiram fazer morrer a esperança. Nas consciências acendeu-se uma chama que iria levar mais tarde à revolução.
A peça de teatro”O Pranto de Maria Parda” de Gil Vicente, interpretada pela actriz Maria do Céu Guerra, leva-nos a uma outra dimensão, um outro tempo. Através do Teatro visitámos a época Vicentina, que é considerada a passagem da Idade Média ao Renascimento. Nesta peça está representada a “face escondida” dos Descobrimentos e o desespero do povo. Este monólogo é uma critica às privações sofridas pelo povo, posto na boca de uma velha bêbeda, que além disso é mulata, daí o nome Maria Parda, que protestando contra o preço proibitivo do vinho, se entrega a um sem número de lamentações e divagações, à beira da loucura. Como nesta época não se podia abordar os assuntos de uma forma explicita, esta foi a forma encontrada por Gil Vicente para exorcizar o drama da fome com toda a carga cómica e de uma forma burlesca. Em 1522, ano em que foi escrito este texto, houve uma fome terrível no reino. Os camponeses esfomeados morriam ao longo dos caminhos pois mesmo quem tinha dinheiro, não encontrava com que matar a fome.
Texto: Gil Vicente
Encenação: Maria do Céu Guerra
Actriz: Maria do Céu Guerra
Acessórios: Victor Sá Machado
Luz: José Carlos Pontes
No seu nome existe o céu e a guerra isso é a busca do equilíbrio entre o céu a alcançar e a guerra a travar ?
Ter este nome é puramente acidental, Guerra eram os meus avós e a minha mãe, Maria do Céu foi o meu pai que escolheu o nome acabou por fazer uma contradição criar um conteúdo significado novo
uma ideia um conceito novo eu acho quando muito é um destino.
Afinal o seu nome representa uma busca de equilíbrio.
Como foi conciliar vida familiar e profissão?
Não foi fácil mas é das profissões mais compensadoras, não a nível material mas a nível pessoal, espiritual, quando se tem filhos foi complicado criá-los ainda é complicado em Portugal ter filhos e ser actriz.
Qual é para si o melhor e o pior de Portugal
O melhor de Portugal tem sido a sua situação geográfica, o sol, o mar, as pessoas que se deparam com situações de necessidade e sem grandes responsabilidades pelos desmandos que sempre acontecem naquele país. O pior em muitos sectores é a falta de sentido de responsabilidade e a falta de sentido de serviço, na cultura, na politica. São poucos aqueles que se sentem responsáveis por fazer e fazer bem e dar prova de si quando se chega a um determinado grau social as pessoas acham que já chega que todas as pessoas têm obrigação de os respeitar de lhes baixar a cabeça e perdem o sentido de serviço.
Acho que Portugal a nível do teatro e da cultura, Sentem-se poucos responsáveis todos nós temos que trabalhar e prestar contas a todos termos obrigações sentido de responsabilidade direitos e deveres .
Mas houve uma grande evolução com a entrada na Europa
Portugal melhorou muito com a entrada na Europa teve várias injecções de dinheiro e ganhou condições de desenvolvimento que até aí não tinha. Cada partido responsável que vai para o poder com muita dificuldade assume a responsabilidade desse poder.
Numa companhia de Teatro quando decidimos montar uma peça damos o sangue a alma damos tudo trabalhamos o que for preciso para que aquele trabalho corra bem para que a gente quando abre as portas ao público que é quem nos vai julgar ele continua gostar do que fazemos a respeitar-nos a apoiar-nos e gostar do nosso trabalho e melhore a sua condição como espectador muitas vezes os nossos políticos não têm esse sentido acho que cada pessoa nas suas funções tem que ter a responsabilidade. Acho que os nossos políticos não têm sentido de serviço
Chegam às estruturas de mais de alta responsabilidade de uma forma vaidosa, não dialogante, e sem pensar que é sua estrita obrigação prestar contas aos outros.
Na peça “O Pranto de Maria Parda” de Gil Vicente sente-se toda a força do povo português através da sua representação.
O povo de Portugal é extraordinário de norte a sul nas coisas que me é dado representar em cena de na sua vontade imaginação no seu élam vital na sua vontade de viver na vontade de ser feliz na sua imaginação são características maravilhosas do nosso povo quase intactas imaginativo forte criativo solidário, verdadeiro.




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