JOANA AMENDOEIRA
Uma Diva do Fado em Sion
“Saudade é tudo o que fica depois de tudo morrer”. Que melhor definição para a saudade do que esta frase cujo sentido é bastante contraditório, pois ao mesmo tempo que fala em morte, deixa transparecer um ténue sentimento de esperança. Digamos que saudade é uma mistura de desespero e de esperança.
Estes dois sentimentos juntos são eles que nos fazem avançar, que nos dignificam, purificam.
Ouvir cantar Joana Amendoeira é mais ou menos isso: sentir-se purificado.
O espectáculo da fadista Joana Amendoeira & Ensemble MAR, no passado dia 21 de Agosto na Sala da Matze em Sion e no quadro do Festival Internacional de Música Sion Valais 2010, com o apoio do Instituto Camões e do Consulado Geral de Portugal em Genebra, deixou o público completamente rendido ao seu encanto, naturalidade, enorme talento e profissionalismo. Esta cantora, muito jovem, 28 anos, é já bastante conceituada em Portugal. Tem 7 álbuns gravados, viajou pelo mundo inteiro, destacam-se países como a Suécia, Bélgica, Holanda, França, Áustria, Índia e tantos outros, onde tem sido muito bem recebida e aplaudida, mesmo por povos que não percebem o português.
É a primeira vez que vem cantar à Suíça? Não, já estive por duas vezes na Suíça Alemã, perto de Zurique.
Tem família na Suíça? Tenho é família na Hungria e na França.
Viaja muito? Viajo muito felizmente, gravei o meu primeiro disco em 1998 e desde aí tenho viajado pelo mundo inteiro. Já estive na Índia, Japão e em África. O público, na maioria estrangeiro, adere muito bem à nossa música, tenho recebido muito apoio e carinho. Na Suécia estive em 24 cidades e só numa é que havia portugueses. Mesmo sem perceber a língua o público vibra com o fado. É uma magia que acontece. Houve até quem me dissesse que ao ouvir o fado ficaram tão apaixonados por esta forma de expressão que decidiram aprender português.
Acha que era bom haver a possibilidade de ter um ecrã em que se traduzisse os textos para que o público pudesse também entender a força das palavras? Acho que seria interessante.
Quando é que o fado entrou na sua vida? Surpreendi toda a gente com 6 anos quando comecei a cantar o fado. Foi mais ou menos também nessa altura que o meu irmão começou a tocar guitarra.
Por vezes ao subir ao palco para cantar tem que superar certas dificuldades? Sim há que saber gerir os seus sentimentos, saber pôr de lado as preocupações, têm que estar reunidas certas condições. Se por algum motivo não se estiver nas melhores condições físicas ou emocionais tem que se aprender a superar e pôr de lado as suas dificuldades.
Quais são os seus sonhos que gostaria de ver realizados? Continuar a representar o fado dignamente dando sempre o meu melhor. Cantar o meu próprio reportório, esperando que a minha voz se mantenha sã. Gostaria ainda de fazer parcerias com alguns cantores que admiro, por exemplo, o cantor de jazz canadiano Michael Bubblé.
Joana Amendoeira nasceu em Santarém a 30 de Setembro de 1982, fez a sua primeira actuação em público em 1994, participando na Grande Noite do Fado em Lisboa. Em 1998 desloca-se pela primeira vez ao estrangeiro, Hungria, no mesmo ano grava o seu primeiro álbum intitulado “Olhos Garotos”. Em 2004 recebe o “Prémio Revelação da Casa da Imprensa”. Em 2009 a Fundação Amália Rodrigues atribui-lhe o prémio de “Melhor Disco de Fado de 2008”. Em Abril deste ano actuou no grande auditório do Centro Cultural de Belém onde foi lançado o seu último álbum “Sétimo Fado”.
De destacar ainda o interesse simultâneo desta fadista pela tradição e a inovação, provando que passado e futuro podem conviver e viver harmoniosamente, enobrecendo ainda mais o fado com novos ritmos musicais, como o jazz.
- Olhos Garotos – 1998
- Aquela Rua – 2000
- Joana Amendoeira – 2003
- Joana Amendoeira ao Vivo em Lisboa – 2005
- À Flor da Pele – 2007
- Joana Amendoeira & Mar Ensemble – 2008
- Sétimo Fado - 2010

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