Fotos Clément Puippe
Envolta em luz e verdade entra Mariza vem de África e pertence ao Fado!
Presença transparente, esvoaçante de terra e cores, de pés bem assentes, nos 5 continentes.
Diapasão da nossa alma, vibra e busca nas entranhas do Fado, experimenta os sons inexplorados, nas profundezas e recantos, qual intrépido cavaleiro monge, abençoada Mariza!
Gratos de ser recebidos por Mariza, por nós e pelos nossos leitores, e sabendo o quanto é precioso o tempo desta artista, partilhámos um instante, de verdade, falámos de saudade, e guardaremos na lembrança a magia deste momento único e a enorme alegria de pertencer também à gente da nossa terra!
A sala estava cheia e sentia-se uma saudável euforia no ar. Momentos assim são para saborear do principio ao fim, mesmo o que noutra ocasião poderia ser desagradável, naquele momento, eram simples detalhes sem importância e todos se preparavam religiosamente para aquele grande momento.
Fez-se silêncio, a Diva entrou sublime vestida de negro, esbelto, folheado. Uma bela mistura de sons graves, agudos e silêncio bem doseados e parecendo adivinhar o que cada pessoa tinha desejado para a sua noite tão esperada, tão especial.
No palco algumas mesas, pessoas a assistir, ambiente de taberna, Mariza senta-se e deixa os seus músicos sozinhos a tocar e cantar fado.
Num espectáculo tão natural em que a emoção flui e acontece, Mariza passeou e cantou por entre o público, fez cantar a todos a canção “Rosa branca”, e comunicou em inglês para o público suíço que não compreendia o português. Pôs a sala a cantar, a rir, estabelecendo uma relação de cumplicidade como se de uma brincadeira de se tratasse. Um jogo que durou ainda alguns minutos num “diálogo” com o público onde houve canção, palavras, aplausos, risos e muita descontracção.
Acompanhada por 3 guitarristas: Ângelo Freire (guitarra portuguesa), Diogo Clemente(viola de fado),
José Marino de Freitas (baixo acústico).
Algumas perguntas:
O que representa o Fado para si? Ele faz parte da cultura portuguesa e tento representá-lo com muito orgulho e dá-lo a conhecer por onde vou.
Qual é a sua ligação com Moçambique? Não tenho nenhuma ligação com Moçambique a não ser as minhas origens. Cresci em Lisboa, vivo em Lisboa. Não tenho projectos específicos neste país ou em África.
Para si o que é a saudade? Todos os portugueses que vivem no estrangeiro são os verdadeiros embaixadores de Portugal e sabem o que é a saudade e são eles que podem melhor que eu responder a essa pergunta.
Ainda lhe sobra tempo para não fazer nada? O meu tempo tem que ser gerido de maneira diferente tendo em conta o meu trabalho. Não trabalho das 9.00 às 19.00, mas sou como toda a gente.
O seu equilíbrio onde o encontra? O meu equilíbrio encontro-o na minha família, junto dos que me querem bem. E a minha energia também vem da minha família.
Mas essa energia excepcional de onde vem? Isso vai ter que perguntar a Deus.
A vida fala-nos por sinais? Não sei. Eu vivo cada dia plenamente, um depois do outro.
O ritmo dos seus concertos comparando com outros artistas como Amália, não é cansativo? Os tempos são outros. Uma outra forma de vida.
Como é que o fado pode ser compreendido pelas pessoas que não entendem português? A música não tem línguas nem fronteiras pode ser escutado por toda a gente. É claro que existe muita poesia no fado. Portugal tem muitos bons poetas, Fernando Pessoa, Florbela Espanca. Porque não utilizá-los?
Biografia:
Marisa dos Reis Nunes nasceu a 16 de Dezembro de 1973, na freguesia de Nossa Senhora da Conceição, na antiga Lourenço Marques. É filha de pai português e mãe moçambicana. Cresceu em Lisboa e começou a cantar com 5 anos. Foi a influencia do seu pai que determinou o gosto da cantora pelo fado. Ouvia, Fernando Farinha, Fernando Maurício, Amália Rodrigues, Carlos do Carmo, entre muitos outros.Com cinco anos de idade, recebeu o seu primeiro xaile, e começou então a moldar a voz que a tornou famosa.
“Foi aqui que toda a história começou. Se calhar é aqui que vai acabar. Tudo pode acabar de repente, tal como começou, e eu volto à minha Mouraria e à taberninha dos meus pais para servir dobradinhas e copos de vinho que não me chateia nada!”
O seu talento é reconhecido no mundo inteiro e é posta no mesmo nível das maiores cantoras mundiais como: Ella Fitzgerald, Elis Regina, Edite Piaf, Amália, Judy Garland. Resultado de muito trabalho, disciplina, entrega, voz e alma o que lhe tem valido o respeito e prémios em todo o mundo e nos meios mais conceituados.
“Foi aqui que toda a história começou. Se calhar é aqui que vai acabar. Tudo pode acabar de repente, tal como começou, e eu volto à minha Mouraria e à taberninha dos meus pais para servir dobradinhas e copos de vinho que não me chateia nada!”
O seu talento é reconhecido no mundo inteiro e é posta no mesmo nível das maiores cantoras mundiais como: Ella Fitzgerald, Elis Regina, Edite Piaf, Amália, Judy Garland. Resultado de muito trabalho, disciplina, entrega, voz e alma o que lhe tem valido o respeito e prémios em todo o mundo e nos meios mais conceituados.
Alguns prémios que recebeu ou para que foi nomeada:
Fundação Amália Rodrigues “Prémio Internacional” , maior divulgação da música portuguesa além fronteiras.
Em Portugal recebe o "Globo de Ouro", para "Melhor Interprete individual".
Medalha de Vermeil da Academia e Artes e Ciências e Letras de Paris, panteão dos grandes serviços prestados às artes e culturas.
Nomeação para um Grammy, Melhor Album Folk pelo CD Terra.
Discografia:
Fado em mim 2001
Fado Curvo 2003
Live in London 2003
Transparente 2005
Mariza 2006
Terra 2008
Terra em concerto 2009
Fado Tradicional 2010

Boa tarde Edite, beijinho.
ResponderEliminarMaravilhosa esta noite de fado com uma Mariza sublime, um teatro fantastico e um ambiente acolhedor, gostei imenso. As fotos estão lindas.
Beijinho Teresa