domingo, 10 de abril de 2011

Genebra 9 de Abril 2011 -Concerto MARIZA




Fotos Clément Puippe



Envolta em luz e verdade entra Mariza vem de África e pertence ao Fado!
Presença transparente, esvoaçante de terra e cores, de pés bem assentes, nos 5 continentes.
Diapasão da nossa alma, vibra e busca nas entranhas do Fado, experimenta os sons inexplorados, nas profundezas e recantos, qual intrépido cavaleiro monge, abençoada Mariza!

Gratos de ser recebidos por Mariza, por nós e pelos nossos leitores, e sabendo o quanto é precioso o tempo desta artista, partilhámos um instante, de verdade, falámos de saudade, e guardaremos na lembrança a magia deste momento único  e a enorme alegria de pertencer também à gente da nossa terra!
A sala estava cheia e sentia-se uma saudável euforia no ar. Momentos assim são para saborear do principio ao fim, mesmo o que noutra ocasião poderia ser desagradável, naquele momento, eram simples detalhes sem importância e todos se preparavam religiosamente para aquele grande momento.
Fez-se silêncio, a Diva entrou sublime vestida  de negro, esbelto, folheado. Uma bela mistura de sons graves, agudos e  silêncio bem doseados e parecendo adivinhar o que cada pessoa tinha desejado para a sua noite tão esperada, tão especial.

No palco algumas mesas, pessoas a assistir, ambiente de taberna, Mariza senta-se e deixa os seus músicos sozinhos a tocar e cantar fado.

Num espectáculo tão natural em que a emoção flui e acontece, Mariza  passeou e cantou por entre o público, fez cantar a todos a canção “Rosa branca”, e comunicou em inglês para o público suíço que não compreendia o português. Pôs a sala a cantar, a rir, estabelecendo uma relação de cumplicidade como se de uma brincadeira de se tratasse. Um jogo que durou ainda alguns minutos num  “diálogo” com o público onde  houve canção, palavras, aplausos, risos e muita descontracção.

 

Acompanhada por 3 guitarristas: Ângelo Freire (guitarra portuguesa), Diogo Clemente(viola de fado),

José Marino de Freitas (baixo acústico).

 

 

Algumas perguntas:

 

O que representa o Fado para si? Ele faz parte da cultura portuguesa e tento representá-lo com  muito orgulho  e dá-lo a conhecer por onde vou.

 

Qual é a sua ligação com Moçambique? Não tenho nenhuma ligação com Moçambique a não ser as minhas origens. Cresci em Lisboa, vivo em Lisboa. Não tenho projectos específicos neste país ou em África.

 

Para si o que é a saudade? Todos os portugueses que vivem no estrangeiro são os verdadeiros embaixadores de Portugal e sabem o que é a saudade e são eles que podem melhor que eu responder a essa pergunta.

 

Ainda lhe sobra tempo para não fazer nada? O meu tempo tem que ser gerido de maneira diferente tendo em conta o meu trabalho. Não trabalho das 9.00 às 19.00, mas sou como toda a gente.

 

 

O seu equilíbrio onde o encontra? O meu equilíbrio encontro-o na minha família, junto dos que me querem bem. E a minha energia também vem da minha família.

 

Mas essa energia excepcional de onde vem? Isso vai ter que perguntar a Deus.

 

A vida fala-nos por sinais? Não sei. Eu vivo cada dia plenamente, um depois do outro.

 

O ritmo dos seus concertos comparando com outros artistas como Amália, não é cansativo? Os tempos são outros. Uma outra forma de vida.

 

Como é que o fado pode ser compreendido pelas pessoas que não entendem português?  A música não tem línguas  nem fronteiras pode ser escutado por toda a gente. É claro que existe muita poesia no fado. Portugal tem muitos bons poetas, Fernando Pessoa, Florbela Espanca. Porque não utilizá-los?   

 

Biografia:

 

Marisa dos Reis Nunes nasceu a 16 de Dezembro de 1973, na freguesia de Nossa Senhora da Conceição, na antiga Lourenço Marques.  É filha de pai português e mãe moçambicana. Cresceu em Lisboa e começou a cantar com 5 anos. Foi a influencia do seu pai que determinou o gosto da cantora pelo fado. Ouvia, Fernando Farinha, Fernando Maurício, Amália Rodrigues, Carlos do Carmo, entre muitos outros.Com cinco anos de idade, recebeu o seu primeiro xaile, e começou então a moldar a voz que a tornou famosa.
“Foi aqui que toda a história começou. Se calhar é aqui que vai acabar. Tudo pode acabar de repente, tal como começou, e eu volto à minha Mouraria e à taberninha dos meus pais para servir dobradinhas e copos de vinho que não me chateia nada!”


O seu talento é reconhecido no mundo inteiro e é posta no mesmo nível das maiores cantoras mundiais como: Ella Fitzgerald, Elis Regina,  Edite Piaf, Amália, Judy Garland. Resultado de muito trabalho, disciplina, entrega, voz e alma o que lhe tem valido o respeito e prémios em todo o mundo e nos meios mais conceituados.
 
Alguns prémios que recebeu ou para que foi nomeada:
Fundação Amália Rodrigues “Prémio Internacional” , maior divulgação da música portuguesa além fronteiras.
Em Portugal recebe o "Globo de Ouro", para "Melhor Interprete individual".
Medalha de Vermeil da Academia e Artes e Ciências e Letras de Paris, panteão dos grandes serviços prestados às artes e culturas.
Nomeação para um Grammy, Melhor Album Folk pelo CD Terra.

Discografia:

Fado em mim                       2001
Fado Curvo                          2003
Live in London                    2003
Transparente                        2005
Mariza                                  2006
Terra                                     2008
Terra em concerto                2009
Fado Tradicional                  2010


            
      


1 comentário:

  1. Boa tarde Edite, beijinho.
    Maravilhosa esta noite de fado com uma Mariza sublime, um teatro fantastico e um ambiente acolhedor, gostei imenso. As fotos estão lindas.
    Beijinho Teresa

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